O setor supermercadista mineiro se manteve em forte expansão em 2025, com a inauguração de 102 lojas no estado. É o que aponta um levantamento da Associação Mineira de Supermercados (AMIS). O movimento reflete a essencialidade do setor, cada vez mais presente na vida do consumidor, não só no abastecimento dos lares, mas também na oferta de serviços, comodidade e praticidade no dia a dia das famílias, além de sua relevância para a economia mineira.
O levantamento contabilizou apenas lojas novas, mas o setor registrou grande movimentação também em aquisições, reformas, ampliações e modernização. Os novos empreendimentos foram responsáveis pela geração de 8.785 empregos diretos, contribuindo para a geração de renda e o crescimento econômico do estado. Os investimentos nessas inaugurações foram da ordem de R$ 1,43 bilhão.
O Presidente Executivo da AMIS, Antônio Claret Nametala, atribui a forte expansão às características do varejo supermercadista em Minas Gerais, com oportunidades para receber investimentos no setor. “O crescimento do número de lojas, com unidades cada vez mais modernas em tecnologia e com mais serviços, está associado ao aumento da demanda e à característica do setor supermercadista em Minas Gerais, em que não há concentração de mercado. Isso favorece novos investimentos, com ampliação e diversificação da oferta em diferentes municípios”, afirma. “Verificamos também o grande número de lojas abertas por pequenas empresas de todas as regiões, mostrando a força do pequeno varejo”, completa Claret.
O setor supermercadista mineiro encerrou o ano de 2025 com 47.774 lojas em operação, considerando todos os portes e formatos – atacarejo, gourmet, vizinhança etc. No total, são 509.546 pessoas empregadas diretamente. O faturamento bruto dos supermercados mineiros em 2025 foi de R$ 135,2 bilhões, o equivale a 11,68% do PIB de Minas Gerais, estimado em R$ 1,157 trilhão.
Em 2026: 78 novas lojas devem ser abertas no estado
Em 2026, segundo projeções da AMIS, a expectativa é de manutenção do crescimento do consumo e dos investimentos em novas lojas, reformas e tecnologias. No entanto, os volumes de aportes não deverão superar os registrados em 2025, em função da elevada base de comparação. “O histórico das nossas pesquisas mostra que a inauguração de 102 lojas no ano é bastante atípica. A única vez que tivemos a abertura de mais de 100 lojas foi em 2021, exatamente porque muitos empreendimentos não puderam ser concluídos em 2020, paralisados pela pandemia”, pondera Claret.
As projeções indicam a abertura de 78 novas lojas no ano, com a geração de 8.580 postos de trabalho. Os investimentos nos novos pontos devem ser da ordem de R$ 1,3 bilhão. Mesmo com menor número de lojas, o valor investido é próximo do realizado no ano passado, já que é esperado um perfil de empreendimentos de maior porte em 2026, com expansão mais forte das principais redes. O mesmo ocorre com as projeções de novos empregos.
Por outro lado, as incertezas de um ano eleitoral e a alta taxa de juros, embora seja esperado o início da trajetória de queda da Selic, tendem a induzir uma postura mais cautelosa do empresário. Além disso, muitos preferem esperar o desempenho das lojas recém-abertas para fazer novos aportes.
Segundo Claret, é esperada a manutenção dos índices de consumo, já que, além da baixa taxa de desemprego em Minas Gerais, o consumidor deverá ter um orçamento menos pressionado, com incentivos como o aumento do salário mínimo acima da inflação, a isenção ou redução das alíquotas do Imposto de Renda em determinadas faixas salariais e a estabilidade dos preços da cesta básica. “Diante desse cenário, a expectativa é de crescimento real do consumo no setor de 3,45% em 2026”, afirma.
Regiões e formatos
A região Central, que inclui a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), liderou novamente a abertura de lojas em 2025, com 31 novos empreendimentos. Desse total, 24 foram inaugurados nas cidades da RMBH e sete em outros municípios. O Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba recebeu 20 novos supermercados em 2025 (quadro 1).
Na classificação por formatos, o supermercado tradicional, também conhecido como loja de vizinhança, concentrou o maior número de inaugurações, com 83 novas unidades. O atacarejo abriu 13 lojas, enquanto o modelo gourmet registrou seis inaugurações (quadro 2).
IA é tema central no setor em 2026
Todos os anos, a AMIS elege o tema central para debater um assunto da atualidade e relevante para o setor. Em 2026, será “IA e o novo jeito de fazer”. O objetivo é mostrar que a Inteligência Artificial não é um modismo corporativo, nem tampouco uma promessa para o futuro. Ela já está fazendo a diferença positivamente nas empresas que decidiram usá-la.
No setor supermercadista, a IA impacta diretamente a operação de loja, o marketing, a prevenção de perdas e a gestão de pessoas, trazendo mais eficiência, agilidade e assertividade nas decisões. “A IA deixa de ser apenas inovação e passa a ser uma ferramenta indispensável. Foi um dos assuntos muito debatidos na NRF Retail Show, em Nova Iorque, em janeiro. Há um consenso de que ela já deve fazer parte da planilha de investimentos das empresas”, afirma Claret.