Pelo menos 6,8% de aumento real no consumo neste final de ano em relação ao mesmo período de 2024. Essa é a expectativa do setor supermercadista mineiro, segundo pesquisa divulgada no início da tarde desta terça-feira, 21 de outubro, em entrevista coletiva à imprensa, na abertura da 37ª Superminas, edição histórica que comemora os 40 anos de criação do evento. A entrevista foi concedida pelo Presidente do Conselho Diretor da Associação Mineira de Supermercados (AMIS), Alexandre Poni, e pelo Presidente Executivo da entidade, Antônio Claret Nametala. A pesquisa foi feita com110 empresários, em todo o estado, entre os dias 2 e 13 de outubro.
A baixa taxa de desemprego e a melhora da renda do consumidor no estado mineiro são alguns dos fatores que justificam a expectativa em relação ao crescimento do consumo. As projeções são de crescimento da demanda nos mais diversos itens que compõem a cesta de compras típicas do período. Frutas diversas “in natura”, por exemplo, terão expansão de 8,6% na demanda. O consumo de vinhos em geral será 7,8% maior, e o de panetone deve crescer 6,7%, se confirmadas as expectativas dos pesquisados.
Em relação às bebidas “geladas”, as cervejas têm previsão de aumento de 7,9% na demanda. A categoria sucos fica com 6,1%, enquanto, em refrigerantes, a demanda será 5,8% sobre o período do ano passado. As cervejas zero álcool, uma das categorias que têm apresentado bom crescimento no setor, deverá ter desempenho 9,3% maior no carrinho.
TENDÊNCIAS – Quando pedidos para apontar uma categoria de produtos com tendência de maior desempenho no consumo, além da lista apresentada e sem um comparativo percentual, os produtos mais citados pelos supermercadistas foram itens embalados para churrasco, como em “kits”; produtos que trazem praticidade na hora do preparo ou de servir, como prontos ou pré-prontos, e os temperados tipos “na brasa”. Outra aposta é no produto premium. A projeção é que o consumidor esteja mais disposto a trocar a quantidade pela qualidade e quer incluir também produtos premium na sua cesta nas festividades.
DESAFIOS EM 2025 – Para a pergunta sobre qual foi o maior desafio da empresa ao longo de 2025, a resposta confirmou o que o setor vem apresentando como seu principal gargalo. Para 90,6% dos empresários, contratar pessoas foi a maior dificuldade em 2025. Outros 9,4% dos entrevistados citaram alta dos juros, custos elevados e aumento da concorrência entre os principais desafios.
Setor abre 8,2 mil vagas temporárias
Nesta época do ano, quando os departamentos comerciais das empresas estão finalizando os acordos para compras que vão abastecer as lojas no período de maior demanda, os departamentos de Recursos Humanos também vão a campo para reforçar as equipes de atendimento e todo o quadro da loja. Segundo o levantamento feito pela AMIS, cerca de 8.200 novos colaboradores devem integrar os quadros do setor em caráter temporário, se forem preenchidas todas as vagas abertas.
Ainda de acordo com o levantamento, 59,4% das empresas vão contratar colaboradores de forma temporária e 40,6% dos supermercadistas responderam que não costumam abrir vagas temporárias. As proporções de contratação em relação ao quadro fixo variam de 2% a 10%, dependendo do perfil e formato das lojas.
Efetivação: Um total de 61% dos entrevistados afirmou que as contratações funcionam também como uma forma de atrair talentos para reforçar o quadro durante todo o ano. A justificativa é que o contrato por ser temporário pode atrair a atenção de muitos jovens ou demais candidatos que pretendam ficar apenas um período, mas se identificam com o trabalho no setor e podem se tornar efetivos.
Ainda segundo os respondentes da pesquisa, 21,5% dos contratados são efetivados ao final do contrato temporário. Já a fatia de 39% dos entrevistados afirmou que o contrato é só mesmo para o reforço da equipe no final de ano.
O setor supermercadista mineiro
Com 47,6 mil lojas ativas e presença em todos os 853 municípios de Minas Gerais, o setor supermercadista é um dos segmentos mais representativos da economia estadual. Em 2024, registrou crescimento real de 3,84% e faturamento de R$ 124,7 bilhões, o que equivale a 11,76% do PIB mineiro. O setor emprega diretamente 500.761 pessoas, sendo mais de 60% em seu primeiro emprego, consolidando-se como um dos pilares da geração de renda, trabalho e desenvolvimento econômico no estado.
Para 2025, as projeções indicam a abertura de 80 novas lojas, que devem gerar cerca de 8.400 empregos diretos. Até o mês de agosto, já haviam sido inauguradas 45 unidades, responsáveis pela criação de 4.125 novos postos de trabalho. O crescimento acumulado do consumo no setor de janeiro a agosto foi de 2,98%, com previsão de alta real de 3,30% no ano.